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Há mais de trinta anos que se anuncia o fim do consultor financeiro

Em 1998, o E*TRADE, deu ao investidor, um acesso direto às bolsas pela primeira vez. Até então, comprar uma ação obrigava a ligar a um corretor, que executava a ordem e cobrava uma comissão generosa por isso. De repente, qualquer pessoa podia fazê-lo por conta própria, em segundos, por uma fração do custo. A ameaça parecia existencial: se o cliente pode executar sozinho, para que precisa de intermediário?

Em 2008, os “robo-advisors” foram mais longe. Não só executavam ordens – construíam carteiras diversificadas, rebalanceavam automaticamente e faziam-no por custos próximos de zero. A promessa era sedutora: gestão profissional, sem o custo do profissional. A Betterment e a Wealthfront, aperfeiçoaram este modelo e foram explícitas na sua ambição: o consultor humano era um custo desnecessário que a tecnologia tornava redundante.

Em 2020, o Zoom removeu a fricção geográfica da relação – se a presença física deixava de ser necessária, o consultor local perdia uma das suas vantagens mais tangíveis. E em 2022, o ChatGPT demonstrou que uma máquina conseguia responder, em linguagem natural e em segundos, a, algumas perguntas, que antes exigiam anos de formação financeira.

Cada um destes momentos foi real. Cada tecnologia fez exatamente o que prometia.

E ainda assim, o consultor financeiro não desapareceu.

A narrativa é sempre a mesma: a tecnologia vai tornar o consultor obsoleto. O cliente vai gerir o seu próprio dinheiro. O custo vai aproximar-se de zero. O humano vai desaparecer da equação.

Só que não desapareceu.

Existem hoje sete vezes mais consultores financeiros do que em 1998. O setor cresce mais rapidamente do que a maioria das profissões. E a própria Betterment – aquela que há uma década declarava os consultores obsoletos – passou a vender software de apoio a consultores financeiros.

A confusão nasce de uma distinção que raramente é feita com clareza: a diferença entre a camada de execução e a camada de valor.

A camada de execução – comprar e vender ativos, rebalancear carteiras, comparar fundos, processar ordens – sempre foi e continuará a ser progressivamente automatizada. Isso é bom. Significa menos erros, menos custos, mais velocidade. A tecnologia faz isto melhor do que qualquer humano, e seria um dislate resistir a essa realidade.

Mas a camada de valor é diferente. E é aqui que o consultor financeiro é insubstituível.

Quando os mercados caem dez por cento em poucos dias, o cliente não precisa de um algoritmo. Precisa de uma voz que o ajude a não tomar decisões “emotivas” e precipitadas. A venda em pânico nos mínimos, por exemplo, seguida da não-reentrada nos máximos, é o padrão que destrói mais riqueza do que qualquer crise…

Não há aplicação que consiga substituir a conversa humana nesse momento.

Quando alguém decide reformar-se mais cedo, vender a empresa, mudar de país ou planear a transferência de riqueza para os filhos, a decisão não é matemática. É contextual, emocional e profundamente pessoal. Precisa de alguém que conheça a história e os valores da pessoa – não de um modelo que otimiza para um objetivo isolado.

A evidência empírica é clara e consistente: clientes que trabalham com um consultor financeiro sentem-se menos ansiosos em relação ao seu futuro financeiro, poupam mais e acumulam riqueza a um ritmo superior ao ano, quando comparados com quem gere o seu dinheiro de forma autónoma. Ao longo de anos, este diferencial compõe-se em valores extraordinários.

E o dado mais revelador de todos: esse valor adicional não vem da seleção de ações, nem do timing de mercado, nem sequer da alocação de ativos. Vem exclusivamente de “alguém” que ajuda o cliente a manter o plano quando tudo à volta sugere abandoná-lo. De “alguém” que coloca as perguntas certas antes de uma decisão difícil. De “alguém” que traduz o ruído dos mercados em contexto compreensível e acionável.

Isto não se automatiza.

As ferramentas de Inteligência Artificial vão automatizar o trabalho administrativo, acelerar a análise, personalizar a comunicação em escala e libertar tempo. Muito tempo. E esse tempo será reinvestido no que realmente nos diferencia: a Confiança.

Fevereiro de ganhos, mas em registo assimétrico

Fevereiro foi globalmente positivo para os mercados financeiros, confirmando o bom início do ano, embora com alguma assimetria nos retornos. As ações japonesas destacaram-se em alta, o que contrastou com uma prestação mais fraca dos índices dos EUA. As ações do Japão beneficiaram dos resultados das eleições, que reforçaram a representação do partido da atual primeira-ministra e as perspetivas de políticas mais expansionistas. É percetível um movimento gradual de rotação das empresas tecnológicas de maior dimensão para outros setores como a energia, bem como para mercados fora dos EUA.

A nomeação de Kevin Warsh como próximo chairman da FED não foi recebida com entusiasmo pelos mercados, mas é ainda cedo para se concluir acerca do rumo futuro da política monetária. As minutas relativas à última reunião da Fed evidenciaram uma divisão cada vez maior entre os seus membros.

Na frente geopolítica, vão-se avolumando os sinais de que poderá ocorrer uma intervenção dos Estados Unidos no Irão, o que deu suporte aos preços do petróleo e dos metais preciosos.

O dólar teve um mês sem tendência definida face ao euro, mas continua a recuar consistentemente em relação ao yuan chinês, atingindo mínimos de quase três anos. As criptomoedas intensificaram perdas, tendo a bitcoin já cedido toda a valorização obtida desde a eleição de Donald Trump.

Classes de Ativos:

A procura por ativos de refúgio aumentou, num contexto de incerteza influenciado por receios ligados à IA e à decisão do Supremo Tribunal dos EUA sobre as tarifas de Donald Trump. Assim, fevereiro foi positivo para o mercado obrigacionista, sobretudo para a dívida pública norte-americana. Considerando a maturidade a 10 anos como referência, as taxas de juro dos US Treasuries recuaram mais de 35 pb, enquanto as dos Bunds alemães recuaram cerca de 19 pb. Os prémios de risco alargaram ligeiramente, mas mantêm-se próximos dos mínimos do ciclo, sustentando a dívida corporativa investment grade e high yield. O dólar manteve-se relativamente estável, apoiando a dívida emergente, sobretudo a denominada em moeda local.

O mês foi globalmente positivo para a maioria dos mercados acionistas, mas com elevada dispersão geográfica. Os mercados emergentes e o Japão destacaram-se em termos relativos, beneficiando de catalisadores próprios, incluindo no caso japonês a validação política de uma orientação económica mais expansionista. Também se observou forte dispersão setorial. Energia e materiais de base mantiveram-se entre os principais outperformers, enquanto tecnologia e serviços de telecomunicações evidenciaram maior fragilidade relativa, refletindo rotação e reprecificação de risco. Um dos catalisadores centrais desta dispersão continua a ser o tema da IA/LLM, não apenas como motor de crescimento, mas como choque competitivo, com receios de obsolescência e pressão sobre margens a penalizarem alguns modelos de negócio.

Este foi um mês de perda marginal no índice de commodities, afetado negativamente pela descida nos preços da energia. O petróleo esteve muito volátil, mas fechou como pouca variação mensal. A potencial intervenção militar dos EUA ao Irão continua a dominar as atenções e a criar um prémio de risco neste mercado. O cobre manteve a toada altista, suportada pela expetativa de um maior consumo futuro, apesar da evidente subida de stocks.  O preço do gás natural nos EUA caiu mais de um terço com a normalização das temperaturas e produção perto de máximos históricos. Os metais preciosos tiveram muita volatilidade, mas continuaram a apreciar num contexto geopolítico que favorece a sua compra. Os produtos agrícolas recuperaram ligeiramente, devido a uma maior procura de cereais e oleaginosas.

O dólar teve um mês sem tendência em relação ao euro. A moeda tem sido suportada pela possibilidade de um ataque ao Irão, mas prejudicada pela realocação de ativos fora dos EUA. A libra desvalorizou para mínimos do ano face ao euro devido a perspectivas de cortes de taxas de juro pelo Banco de Inglaterra e à pressão política sobre o Primeiro-ministro britânico. O yuan chinês continua a apreciar face ao dólar, alcançando máximos de abril de 2023 e a maior sequência semanal de ganhos em 13 anos.  As criptomoedas intensificaram perdas, tendo a bitcoin atingido mínimos de outubro de 2024. Os principais criptoativos já perderam toda a valorização obtida desde a eleição de Donald Trump.

Conclusão:

Fevereiro revelou-se um mês globalmente positivo para os mercados, mas marcado por uma forte dispersão geográfica e setorial que reforça a importância de uma abordagem equilibrada e diversificada. A incerteza internacional — desde possíveis tensões no Médio Oriente até à indefinição quanto ao rumo da política monetária norte‑americana — continua a ser um fator determinante para a evolução dos mercados. Ainda assim, a valorização de alguns ativos de refúgio, a força do yuan e a relativa estabilidade das matérias‑primas indicam que o mercado está a procurar um novo ponto de equilíbrio. Neste contexto, manter uma visão de longo prazo, diversificar de forma inteligente e acompanhar de perto a evolução macroeconómica serão elementos essenciais para aproveitar oportunidades e mitigar riscos nos próximos meses.

Outlook 2026: Navegar com Estratégia num Ciclo de Mudança

O ano de 2026 apresenta-se como um período de continuidade, mas também de novos desafios estruturais. Após um 2025 moldado pela instabilidade comercial e por valorizações excecionais nos metais preciosos — com o ouro e a prata a atingirem retornos históricos —, a Golden Wealth Management entra no novo ano com uma visão clara: otimismo fundamentado, mas guiado pela prudência.

Um Ano de Marcos Históricos e Resultados Consistentes

O ano de 2025 ficará gravado na nossa história como um período verdadeiramente especial. Ao celebrarmos os 25 anos da Golden, atingimos o marco de dois mil milhões de euros em ativos sob acompanhamento, um número que reflete, acima de tudo, a solidez da confiança que os nossos clientes depositam no nosso trabalho. Este foi também um ano de rentabilidades históricas em todos os perfis Golden.

Mais do que números isolados, estes resultados celebram a consistência de método e processo, visível nas rentabilidades acumuladas desde 2015, que atingem os 102,36% no Perfil Ações. Para reforçar este compromisso com a transparência, lançámos a app MyGolden, uma ferramenta diferenciadora que permite o acompanhamento agregado de toda a informação patrimonial.

Oportunidades no Horizonte em 2026

Para 2026, antecipamos que as políticas fiscais, particularmente nos Estados Unidos, continuem a suportar o crescimento económico global. Este fator, aliado a uma política monetária mais acomodatícia por parte dos bancos centrais, cria um ambiente favorável para o segmento acionista.

Contudo, a nossa equipa de investimentos mantém-se atenta às valorizações elevadas em certos mercados. Por isso, a estratégia para este ano foca-se na seletividade rigorosa, seja ao nível de Geografias, Setores ou Ativos Reais.

Gestão de Risco: O Valor da Agilidade

O ano de 2026 não será isento de volatilidade. Identificamos três eixos de risco que exigem uma monitorização constante:

  • Geopolítica: a liderança de Trump nos EUA, com políticas tarifárias e decisões imprevisíveis, poderá amplificar a instabilidade e alterar fluxos comerciais.
  • Inteligência Artificial Generativa: vigilância contra o excesso de entusiasmo (potenciais bolhas) e a elevada concentração de retornos em poucos nomes.
  • Obrigações e Inflação: risco de subida das yields devido ao agravamento dos desequilíbrios fiscais nos EUA.

Conclusão:

Na Golden Wealth Management, entendemos que 2026 exige mais do que uma leitura estática dos mercados; exige uma capacidade de resposta imediata à volatilidade. A nossa filosofia para este ano foca-se na agilidade e na mitigação de riscos, assegurando que cada carteira é ajustada dinamicamente para proteger o capital sem abdicar das janelas de oportunidade que este novo ciclo oferece.

Janeiro Sob Forte Pressão Geopolítica

Não faltou volatilidade e agitação neste início do ano, seja nos mercados financeiros seja em termos geopolíticos. Apesar de uma correção mesmo no final do mês, janeiro foi positivo para as várias classes de ativos. O mercado foi, em geral, resiliente aos vários eventos do mês.

Os EUA fizeram uma intervenção militar na Venezuela com o objetivo de deter Nicolas Maduro e ter maior controlo sobre o país, nomeadamente sobre a indústria petrolífera. O interesse de Donald Trump na Gronelândia causou fricção adicional entre os EUA e a Europa e persistiu a ameaça de um ataque dos EUA ao Irão. A cimeira de Davos foi particularmente participada este ano, ficando muito patente o desconforto entre os vários blocos mundiais, que vão tentando diversificar a sua exposição aos EUA. A União Europeia assinou acordos comerciais com a Índia e o Mercosul.

A Reserva Federal dos EUA manteve a taxa de juro de referência inalterada pela primeira vez desde julho e deu a entender que não há condições para descidas de juros nos próximos meses. Donald Trump anunciou Kevin Warsh como próximo líder da FED. É uma nomeação que poderá aliviar algumas das preocupações sobre a pressão da Casa Branca sobre a FED para cortar juros.

Os metais preciosos voltaram a destacar-se pelas valorizações e pela volatilidade. O ouro e a prata foram quebrando sucessivamente máximos históricos, embora corrigindo no final do mês. O dólar teve um mês negativo, tendo o Eur/Usd chegado a $1,2078 – máximos de junho de 2021. Os criptoativos registaram uma performance negativa, não conseguindo acompanhar os movimentos dos metais preciosos.

Classes de Ativos:

O ano arrancou repleto de eventos geopolíticos, com Donald Trump a desempenhar um papel central nos seus desenvolvimentos. A volatilidade tem-se mantido relativamente contida, mas ainda assim com alguns episódios intradiários. Apesar deste contexto, os mercados de dívida têm-se mantido ordeiros, e nem as preocupações crescentes em torno da independência da FED e da nomeação do seu novo governador (Kevin Warsh), foram suficientes para interromper ganhos mensais.

Os prémios de risco corporativos mantiveram-se próximos dos mínimos do ciclo atual, validando também um sentimento construtivo por parte dos investidores. A perda de força do dólar norte americano face às principais moedas acabou por castigar a dívida emergente, sobretudo a denominada em moeda local.

Já nos mercados acionistas,  Janeiro destacou-se pela intensidade do risco geopolítico, com potenciais efeitos materiais no curto e no médio e longo prazo, tendo Donald Trump como principal catalisador. Apesar do ruído, a volatilidade nos mercados acionistas dos EUA manteve-se contida, mas com rotação clara de large para small caps e de tecnológicas para energia, industriais e materiais. No plano geográfico, a turbulência favoreceu uma rotação forte para mercados emergentes, com o Brasil em destaque. Em termos temáticos, as mineiras relacionadas com metais preciosos e urânio exibiram uma força extraordinária, com movimentos cada vez mais parabólicos.

Para o índice de commodities, foi um mês de ganhos acentuados, perto dos 9%, beneficiando de forte interesse investidor nalgumas das principais categorias. O petróleo subiu cerca de 13% beneficiando de problemas na produção do Cazaquistão e potencial ataque dos EUA ao Irão. O cobre subiu mais 5% com forte interesse investidor, apesar de evidência de subida generalizada de stocks. O gás natural nos EUA subiu cerca de 16%, num mês de volatilidade extrema de preços, afetados por dias de temperaturas extremamente baixas. Os metais preciosos continuam a galopar neste contexto de alterações geopolíticas. O ouro subiu 11% e a prata 18%.  As agrícolas sem alterações dignas de registo, a preços relativamente baixos, com ampla oferta global na maioria dos principais produtos.

No mercado cambial, o dólar fechou o mês em baixa, tendo registado os valores mais baixos face ao euro desde junho de 2021. O Eur/Usd chegou a cotar a $1,2078, corrigindo nas duas últimas sessões de janeiro. O dólar recuou devido a uma maior desconfiança do mercado em relação ao posicionamento geopolítico dos EUA, mas também após rumores de que estaria a ser preparada uma intervenção cambial conjunta entre a FED e o Banco do Japão para defender o iene. O franco suíço acabou por ser o principal beneficiado como ativo de refúgio em tempos de incerteza geopolítica. Face ao euro, o franco suíço atingiu o valor mais alto desde o “flash crash” de janeiro de 2015. As criptomoedas continuam a não atrair o interesse do mercado nesta fase. A bitcoin encerrou o mês em mínimos de mais de dois meses, o mesmo acontecendo com o ether.

Conclusão:

Num início de ano marcado por forte intensidade geopolítica e movimentos rápidos nos mercados, janeiro demonstrou que, apesar da incerteza, os investidores continuam a encontrar resiliência em várias classes de ativos. A diversificação voltou a provar a sua utilidade num mês em que metais preciosos, energia e mercados emergentes lideraram os ganhos, enquanto a dívida global manteve o seu comportamento equilibrado mesmo perante dúvidas sobre a política monetária dos EUA. Este início de ano reforça, assim, a importância de uma alocação ajustada ao perfil de risco, capaz de navegar períodos de volatilidade sem perder de vista o horizonte de investimento.