Mês: Março 2026

Asset Allocation

Vivemos num mundo financeiro complexo, integrado e volátil. Esta crescente globalização, torna imperativo a construção de uma carteira com base no princípio da diversificação. O Asset Allocation é uma abordagem ao processo alocação dos recursos financeiros de um investidor que consiste na dispersão desses investimentos por diferentes classes de ativos. A diversificação é por isso o princípio basilar do Asset Allocation pois ao diversificar a alocação dos seus valores por múltiplas classes de ativos, o investidor poderá reduzir o risco específico da carteira e melhorar o retorno ajustado ao risco ao longo do tempo.

De acordo com o dicionário da língua portuguesa, por “ativo” entende-se como sendo um bem, valor ou direito passível de ser convertido em dinheiro. A enorme panóplia de ativos financeiros disponíveis pode ser agrupada em 5 grandes classes de ativos de acordo com algumas das suas características, na visão da Golden Wealth Management: Liquidez/Monetário, Obrigações, Ações, Alternativos e Commodities. A cada uma destas classes está associado um determinado nível de risco e de retorno esperado, com uma relação crescente do nível destas duas variáveis.

A heterogeneidade subjacente a cada classe de ativos implica que o comportamento destas seja diferente, nos vários contextos de mercados. A correlação entre os ativos, as condições de liquidez e o grau de risco são variáveis e estão dependentes de múltiplos fatores económicos simultaneamente.  Uma condição essencial para uma boa gestão do binómio risco/retorno associada à carteira global do investidor pressupõe uma utilização eficiente dos recursos, com uma distribuição variada. Trata-se de um pressuposto fundamental para o desempenho da carteira no médio e longo prazo.

Assumindo um perfil moderado, tradicionalmente um dos perfis mais representativos entre os investidores portugueses, apresentamos o Asset Allocation pelas 5 classes.

Asset Allocation

Note-se que a exigência de um mix estável entre as várias classes de ativos materializa uma proteção adicional do investidor contra possíveis choques e, assim, contribui para uma carteira mais equilibrada em termos de risco, estratégias e estilos de gestão.

A superioridade de uma estratégia baseada na diversificação advém da evidência empírica de que, numa carteira corretamente diversificada, de uma forma geral, um mau desempenho de uma certa classe de ativos será, pelo menos parcialmente, compensado por um desempenho favorável de outra(s) classe(s).

Esta diversificação é incrementada através de um segundo nível de dispersão e diversificação dos investimentos dentro de cada uma das principais classes de ativos.

Com base em vários estudos publicados, nas séries temporais reais históricas e um modelo proprietário de estimação de retornos/ correlações esperadas, na Golden Wealth Management construímos uma matriz que nos permite estimar cenários probabilísticos de evolução do património com diferentes níveis de confiança, sem que constituam garantia de resultados futuros.

Em conclusão, um correto Asset Allocation, ponderado e otimizado de acordo com a situação específica do investidor é um elemento decisivo para o sucesso de longo prazo nos seus investimentos.

Fevereiro de ganhos, mas em registo assimétrico

Fevereiro foi globalmente positivo para os mercados financeiros, confirmando o bom início do ano, embora com alguma assimetria nos retornos. As ações japonesas destacaram-se em alta, o que contrastou com uma prestação mais fraca dos índices dos EUA. As ações do Japão beneficiaram dos resultados das eleições, que reforçaram a representação do partido da atual primeira-ministra e as perspetivas de políticas mais expansionistas. É percetível um movimento gradual de rotação das empresas tecnológicas de maior dimensão para outros setores como a energia, bem como para mercados fora dos EUA.

A nomeação de Kevin Warsh como próximo chairman da FED não foi recebida com entusiasmo pelos mercados, mas é ainda cedo para se concluir acerca do rumo futuro da política monetária. As minutas relativas à última reunião da Fed evidenciaram uma divisão cada vez maior entre os seus membros.

Na frente geopolítica, vão-se avolumando os sinais de que poderá ocorrer uma intervenção dos Estados Unidos no Irão, o que deu suporte aos preços do petróleo e dos metais preciosos.

O dólar teve um mês sem tendência definida face ao euro, mas continua a recuar consistentemente em relação ao yuan chinês, atingindo mínimos de quase três anos. As criptomoedas intensificaram perdas, tendo a bitcoin já cedido toda a valorização obtida desde a eleição de Donald Trump.

Classes de Ativos:

A procura por ativos de refúgio aumentou, num contexto de incerteza influenciado por receios ligados à IA e à decisão do Supremo Tribunal dos EUA sobre as tarifas de Donald Trump. Assim, fevereiro foi positivo para o mercado obrigacionista, sobretudo para a dívida pública norte-americana. Considerando a maturidade a 10 anos como referência, as taxas de juro dos US Treasuries recuaram mais de 35 pb, enquanto as dos Bunds alemães recuaram cerca de 19 pb. Os prémios de risco alargaram ligeiramente, mas mantêm-se próximos dos mínimos do ciclo, sustentando a dívida corporativa investment grade e high yield. O dólar manteve-se relativamente estável, apoiando a dívida emergente, sobretudo a denominada em moeda local.

O mês foi globalmente positivo para a maioria dos mercados acionistas, mas com elevada dispersão geográfica. Os mercados emergentes e o Japão destacaram-se em termos relativos, beneficiando de catalisadores próprios, incluindo no caso japonês a validação política de uma orientação económica mais expansionista. Também se observou forte dispersão setorial. Energia e materiais de base mantiveram-se entre os principais outperformers, enquanto tecnologia e serviços de telecomunicações evidenciaram maior fragilidade relativa, refletindo rotação e reprecificação de risco. Um dos catalisadores centrais desta dispersão continua a ser o tema da IA/LLM, não apenas como motor de crescimento, mas como choque competitivo, com receios de obsolescência e pressão sobre margens a penalizarem alguns modelos de negócio.

Este foi um mês de perda marginal no índice de commodities, afetado negativamente pela descida nos preços da energia. O petróleo esteve muito volátil, mas fechou como pouca variação mensal. A potencial intervenção militar dos EUA ao Irão continua a dominar as atenções e a criar um prémio de risco neste mercado. O cobre manteve a toada altista, suportada pela expetativa de um maior consumo futuro, apesar da evidente subida de stocks.  O preço do gás natural nos EUA caiu mais de um terço com a normalização das temperaturas e produção perto de máximos históricos. Os metais preciosos tiveram muita volatilidade, mas continuaram a apreciar num contexto geopolítico que favorece a sua compra. Os produtos agrícolas recuperaram ligeiramente, devido a uma maior procura de cereais e oleaginosas.

O dólar teve um mês sem tendência em relação ao euro. A moeda tem sido suportada pela possibilidade de um ataque ao Irão, mas prejudicada pela realocação de ativos fora dos EUA. A libra desvalorizou para mínimos do ano face ao euro devido a perspectivas de cortes de taxas de juro pelo Banco de Inglaterra e à pressão política sobre o Primeiro-ministro britânico. O yuan chinês continua a apreciar face ao dólar, alcançando máximos de abril de 2023 e a maior sequência semanal de ganhos em 13 anos.  As criptomoedas intensificaram perdas, tendo a bitcoin atingido mínimos de outubro de 2024. Os principais criptoativos já perderam toda a valorização obtida desde a eleição de Donald Trump.

Conclusão:

Fevereiro revelou-se um mês globalmente positivo para os mercados, mas marcado por uma forte dispersão geográfica e setorial que reforça a importância de uma abordagem equilibrada e diversificada. A incerteza internacional — desde possíveis tensões no Médio Oriente até à indefinição quanto ao rumo da política monetária norte‑americana — continua a ser um fator determinante para a evolução dos mercados. Ainda assim, a valorização de alguns ativos de refúgio, a força do yuan e a relativa estabilidade das matérias‑primas indicam que o mercado está a procurar um novo ponto de equilíbrio. Neste contexto, manter uma visão de longo prazo, diversificar de forma inteligente e acompanhar de perto a evolução macroeconómica serão elementos essenciais para aproveitar oportunidades e mitigar riscos nos próximos meses.