Autor: claudia.moreira@goldenwm.pt

The Role of Portfolio Rebalancing – determinante para o sucesso dos investimentos

“The Role of Portfolio Rebalancing” – Porque rebalancear de forma regular e correta o portfólio é determinante para o sucesso dos investimentos!

Muitos investidores dedicam um grande esforço para decidir quais investimentos são adequados às suas necessidades, dedicando horas à análise de ideias de investimento, a assistir nos media a programas da especialidade, a ler uma miríade de publicações e a conversar com amigos ou com profissionais da área financeira. Mas, geralmente, ignoram um dos aspetos mais importantes na gestão de um portfólio de investimentos: o seu regular reequilíbrio.

O que é que isso significa exatamente e quais são os benefícios do reequilíbrio de portfólio?

Não será despiciendo referir que um dos determinantes do sucesso no investimento é ser disciplinado, paciente e perseverante. Historicamente, já evidenciamos que os investidores que são pacientes, num horizonte temporal mais alargado, obtêm retornos bastante positivos. Contudo, o percurso não é linear e os investidores enfrentarão sempre ao longo dessa longa jornada períodos mais difíceis, turbulentos, repletos de incertezas e volatilidade. Uma abordagem indisciplinada, com deliberações precipitadas e emocionais resulta, em média, em decisões de gestão de pior qualidade, em especial em períodos de queda dos mercados e, por isso, dificilmente obtêm benefícios destas situações.

O rebalanceamento ajuda a controlar o risco da carteira e pode contribuir para melhorar o retorno ajustado ao risco ao longo do tempo.

Simplificando, o ato de reequilibrar garante que o portfólio permanece dentro de sua alocação desejada ao longo do tempo. Isso é necessário porque o valor relativo dos diferentes ativos que compõe a carteira de investimento naturalmente altera-se ao longo do tempo e, consequentemente, o relacionamento percentual entre eles é também alterado como resultado. A prática de rebalanceamento garante que o seu portfólio se mantém no curso desejado.

Na teoria um investidor bem-sucedido deveria comprar determinado instrumento financeiro a um preço “baixo” e vendê-lo a um preço “alto” (“buy low… sell high!”). Esta estratégia parece simples, mas é extremamente difícil de implementar! Mas o rebalanceamento efetivamente uma disciplina sistemática de compra e venda sem necessidade de tentar antecipar a evolução dos mercados. O fenómeno de reversão para média sugere que os preços dos ativos retomam, mais cedo ou mais tarde, ao seu valor médio. Historicamente, diversos ativos e classes de ativos demonstraram tendências de reversão para a média ao longo de períodos alargados, embora esse comportamento não seja garantido

E, na prática, rebalancear um portfólio implica vender os ativos que registam uma outperformance e que, por esse motivo, excedem a alocação inicial e, por contrapartida, reforçar posições que registem uma underperformance e, desse modo, estejam abaixo da percentagem delineada. Inconscientemente, o investidor está a materializar um “buy low and sell high” e, ao mesmo tempo, evitar que certas posições aumentem o risco total da carteira.

A definição do Asset Allocation vai permitir definir a frequência e quais as operações de rebalanceamento necessárias, conforme o mix definido entre as diferentes classes de ativos e os limites impostos para cada classe. Idealmente, há que definir limites máximos e mínimos para cada classe de ativo e uma “banda de flutuação”. Isto porque obviamente, há que ter em consideração a dimensão das variações! Rebalancear com demasiada frequência implica um acréscimo de custos que, por vezes, podem não compensar a dimensão do ajuste. De facto, na questão de rebalanceamentos não podemos ignorar os custos. Uma solução é rebalancear o portfólio com novas contribuições (cash, ganhos realizados, reinvestimentos de dividendos ou juros recebidos) e evitar os custos acrescidos nas operações de resgate.

Para muitos investidores o rebalanceamento é contraintuitivo e emocionalmente difícil de gerir. Contudo, seguir a alocação tática delineada para o seu perfil de risco é essencial. Em suma, porque é que o rebalanceamento faz sentido?

  • Gestão de risco;
  • Decisões Anti Cíclicas;
  • Disciplina

Na Golden Wealth Management, em função do seu perfil, desenhamos a solução ideal para o seu portfólio. A alocação da Golden preocupa-se em maximizar a rentabilidade total de um portfólio diversificado, garantido uma gestão de risco transparente, adequada ao seu perfil de investimento. A alocação tática assume a alocação estratégica, mas ajusta regularmente o portfólio para fazer face às mudanças das condições de mercado, previsões e convicções.

Reforma: o fim da ilusão da dependência pública

Otto von Bismarck desenhou o sistema de pensões alemão em 1880 com uma premissa simples: os jovens financiam os mais velhos. Em 1880, a esperança de vida e a demografia permitiam que este modelo fosse sustentável. Em 2026, é um modelo sob pressão extrema.

Se baseia o seu plano de reforma na esperança de que o Estado manterá o seu padrão de vida, a realidade é o seu maior risco.

Por que o sistema atual não garante o seu futuro?

  1. A inversão demográfica: Em 1950, tínhamos quase 7 trabalhadores por cada reformado na UE. Hoje, temos apenas 3,5. O sistema está a ser drenado de forma exponencial.
  2. O limite do PIB: Os Estados gastam, em média, 8% do PIB em pensões. Com dívidas públicas elevadas, não há margem de manobra. A tendência, por necessidade, é o congelamento ou a redução real das prestações.
  3. O custo da segurança (mal aplicada): Os sistemas públicos são, por norma, obrigados a investir em dívida pública de baixo retorno. Num cenário onde a inflação corrói o poder de compra, o que é “seguro” acaba por ser o mais arriscado para o seu património a longo prazo.

A solução não é poupar, é gerir

Estudos como o UBS International Pension Gap Index confirmam: o sistema público apenas assegura o básico. Para manter o seu estilo de vida, a poupança pública é um complemento, nunca o pilar central.

A verdadeira questão não é “quanto vou receber?”, é “quanto capital preciso de ter para nunca ter de depender de uma pensão estatal?”.

  • Fuja do “efeito média”: A poupança privada sem estratégia é apenas dinheiro parado. A alocação deve ser inteligente, diversificada e, acima de tudo, desenhada para o seu objetivo específico de usufruto.
  • O fator tempo: O juro composto não perdoa atrasos. O planeamento de reforma não é sobre o que fará aos 65 anos, é sobre como está a alocar os seus ativos hoje.

O seu próximo passo

Deixe de tratar a sua reforma como um evento distante e passe a tratá-la como um projeto de gestão de ativos.

Está a caminho de garantir o seu nível de vida, ou está à espera de reformas que podem nunca chegar?

Agende uma análise estratégica da sua reforma com um dos nossos Financial Advisors. Vamos definir o montante necessário para a sua liberdade financeira e desenhar a estratégia para lá chegar.

Os 6 erros “crassos” que destroem o seu património

A História reserva lições valiosas. Em 59 a.C., Marco Crasso — o homem mais rico de Roma — cometeu um erro fatal: movido pela soberba e pela pressa, ignorou a estratégia, encurtou o caminho por um vale estreito e levou 50 mil soldados a uma emboscada. Crasso não falhou por falta de recursos, mas por falta de plano.

No mundo dos investimentos, muitos investidores cometem erros igualmente “Crassos”. Aqui estão os 6 mais comuns e como evitá-los:

1. O erro da “autoestima” no risco

Investir sem um perfil de risco definido é navegar sem bússola. Se for agressivo num produto conservador, perde rentabilidade; se for conservador num produto alavancado, dorme mal.

A solução? o seu perfil não é uma opinião, é uma métrica. Definimo-lo com rigor antes de qualquer movimento no mercado.

2. Subestimar a natureza do risco

O risco não é um “inimigo” a evitar, é uma variável a gerir. Quem ignora a possibilidade de perda não investe, aposta.

A solução? não tentamos eliminar o risco – gerimo-lo. A diversificação e a análise contínua são as nossas ferramentas para proteger o capital

 

3. Falta de diversificação (o risco da concentração)

Colocar todos os ovos no mesmo cesto é o atalho mais rápido para a frustração.

A solução? Construímos carteiras que equilibram ativos, geografias e setores. O objetivo é a resiliência: que a sua carteira suporte a volatilidade sem perder o rumo.

4. Investir por intuição, não por estudo

O mercado não recompensa palpites. Cada decisão deve ser baseada em solidez, análise de cenários e vantagens competitivas.

A solução? O conhecimento é o ativo mais valioso. Delegue a análise técnica aos profissionais e foque-se nas suas prioridades de vida.

5. Viver sem uma bússola (planeamento)

Investir sem objetivo é apenas “pôr dinheiro de lado”. O planeamento financeiro é o que transforma poupança em património.

A solução? Sem um alvo, qualquer caminho é longo demais. Definimos a sua visão estratégica para garantir que cada euro trabalhe para uma meta concreta

6. A passividade no acompanhamento

O mercado é dinâmico, mas muitas carteiras permanecem estáticas durante anos.

A solução? Monitorizamos as fraquezas e as oportunidades do seu portfólio em tempo real, ajustando a rota sempre que a conjuntura o exige.

O vale estreito de Crasso ou um caminho com visão estratégica?

Não deixe que o seu património seja vítima de emboscadas evitáveis. Agende uma reunião sem compromisso e garanta que as suas decisões de hoje protegem o seu futuro de amanhã.

Vantagens em ter um Financial Advisor

A queda de instituições históricas (como o BES ou o Lehman Brothers) provou que o mercado financeiro é imprevisível e que as poupanças exigem uma gestão rigorosa. É neste contexto que a figura do Financial Advisor se torna essencial, atuando como o seu parceiro estratégico.

O que faz um Financial Advisor?

Alinhamento ao seu perfil: avalia a sua tolerância ao risco e define estratégias adaptadas aos seus objetivos reais de curto, médio e longo prazo

– Diversificação e Eficiência: Otimiza a sua carteira escolhendo os melhores ativos, geografias e estruturas de custódia, garantindo sempre a transparência dos custos.

– Visão de futuro: Ajuda a planear a segurança financeira da sua família e a transição do património para as gerações, traduzindo o jargão complexo em opções claras.

A vantagem na prática Imagine um cenário de inflação elevada e incerteza global. Em vez de reagir com emoção às quedas do mercado, o seu Advisor atua de forma proativa. Analisa o impacto de forma independente e reequilibra a sua carteira atempadamente — protegendo o capital contra desvalorizações e aproveitando novas oportunidades. O objetivo principal não é apenas tentar “bater o mercado”, mas garantir que o seu plano se mantém sólido.

Tranquilidade e Independência Num mundo onde os Bancos Centrais e a geopolítica mudam as regras do jogo rapidamente, ter aconselhamento especializado garante-lhe decisões fundamentadas, totalmente alinhadas com os seus interesses.

Pronto para otimizar os seus investimentos?

Agende uma reunião sem compromisso com um dos nossos Financial Advisors e descubra como podemos proteger e potenciar o seu património.

Qual o melhor momento para investir? Se não agora, quando?

Esta é uma das perguntas mais frequentes entre investidores. A ideia de esperar por uma correção dos mercados para investir a um preço mais baixo parece lógica à primeira vista. No entanto, a realidade mostra que acertar consistentemente no melhor momento para entrar no mercado é extremamente difícil, mesmo para profissionais.

Existe um momento melhor para investir do que hoje?

Muitos investidores acreditam que, ao esperar mais algum tempo, conseguirão encontrar um ponto de entrada mais atrativo. O problema é que essa decisão implica antecipar a evolução futura dos mercados, algo que ninguém consegue fazer de forma consistente.

Os mercados financeiros são influenciados diariamente por inúmeros fatores económicos, políticos e empresariais. Embora seja inevitável que ocorram períodos de correção e volatilidade, também é verdade que os mercados têm apresentado uma tendência de crescimento ao longo do tempo.

Ao adiar uma decisão de investimento na expectativa de uma descida, o investidor corre o risco de perder dias, semanas ou meses de valorização. E, muitas vezes, os períodos de recuperação surgem de forma rápida e inesperada, tornando difícil identificar o momento ideal para entrar.

Por outras palavras, esperar pelo momento perfeito pode significar perder oportunidades reais de crescimento.

Investir tudo de uma vez ou de forma faseada?

Quando existe um montante disponível para investir, surge frequentemente uma segunda questão: será melhor investir de imediato ou distribuir o investimento ao longo do tempo?

Historicamente, investir a totalidade do capital de uma só vez apresentou melhores resultados na maioria das situações. A razão é simples: quanto mais tempo o dinheiro permanece investido, mais tempo beneficia do potencial de valorização dos mercados.

Ainda assim, o investimento faseado pode fazer sentido para investidores que se sintam desconfortáveis com a possibilidade de uma correção de curto prazo. Nesses casos, a principal vantagem não é necessariamente financeira, mas emocional, permitindo reduzir a ansiedade associada ao momento de entrada.

A decisão ideal será sempre aquela que o investidor consegue manter de forma disciplinada e consistente.

A importância de começar

Investir com sucesso não depende de encontrar o ponto de entrada perfeito. Depende, acima de tudo, de permanecer investido durante o tempo suficiente para beneficiar do crescimento acumulado dos ativos.

Por isso, para a maioria dos investidores, a questão mais importante não é tentar descobrir o melhor dia para investir, mas sim começar a investir o mais cedo possível e manter uma estratégia alinhada com os seus objetivos.

Qualquer estratégia que tente vencer o mercado evitando-o é improvável que tenha sucesso.
Investir é como ter uma conversa difícil: é melhor não adiar para outro dia.

Financial Advising: 14 Regras de Ouro

No acompanhamento de patrimónios de dimensão elevada, constatamos que na base do sucesso em manter e aumentar esse património existem comportamentos passíveis de padronizar: “A história não se repete, mas rima.” Mark Twain.

Uma visão global do património, onde a esfera empresarial, a esfera dos ativos reais (incluímos aqui imobiliário, obras de arte, jóias e metais preciosos) e a esfera dos ativos financeiros são ao mesmo tempo influenciadores e influenciados.

Dos padrões comportamentais podemos criar algumas regras que poderão ser úteis no perpetuar do património:

1. Proteção de Capital

Um investidor deve ter sempre como base uma lógica de proteção de capital. O perfil de risco deve ser usado com um limite.

Um investidor com um perfil agressivo não deve, nem tem de estar sempre investido.

2. O risco deve ser assumido previamente

Não existe retorno sem assunção de risco. O relevante é perceber o risco a que estamos expostos para então o poder assumir.

3. Cash is king

Manter liquidez na carteira deve ser considerado um ativo importante a deter. Aceite o custo de manter elevados níveis de liquidez como uma arma poderosa.

4. Diversificação deve ser procurada

Em toda a sua amplitude – classe de ativos, zonas geográficas, emissores, intermediários financeiros, enumerando apenas os principais

5. Ser coerente.

A mesma lógica que leva à decisão de investimento numa posição, deverá ser também usada para definir a sua saída.

6. Surf the wave

Uma vez investido, deixar os lucros “rolar”, sendo a intenção fruir da tendência.

7. Ser pragmático

No momento do investimento, o objetivo é sempre vender a um preço superior ao qual foi feita a compra.

8. Nunca aumentar uma posição perdedora sem definir um stop loss prévio

Quando pretendemos reforçar um ativo, que apesar do seu comportamento negativo, consideramos ter potencial de recuperação, devemos pré-fixar um preço limite para o qual teremos de sair da posição caso o nosso cenário não se verifique.

9. Investir tendo como base factos

Não invista por razões pessoais. O património financeiro acumulado tem uma história que

deve ser preservada.

10. Conflitos de interesse

É importante ter presente que os intermediários financeiros podem perder dinheiro quando cedem crédito, mas, inevitavelmente, esta mesma balança fica com saldo positivo, quando gerem o património de terceiros.

11. Em períodos de baixo retorno, as comissões, impostos e dividendos são muito relevantes

Ser exigente é importante. Com a atual transparência exigida pela DMIF II, na tomada de decisões é importante analisar cuidadosamente todos os custos associados: diretos e indiretos.

12. O mercado tende a ajustar para a média no longo prazo

A lei da oferta e da procura é um conceito que devemos compreender e aceitar.

13. Ser o mais disciplinado possível

Todas as grandes perdas estão associadas ao não cumprimento desta regra.

14. Compreender e aceitar a natureza humana

O fator humano leva a “infrações” sendo as principais:

  1. Excesso de confiança, que leva à falta de disciplina
  2. Incapacidade de gerir muita informação, que por vezes gera excesso de confiança
  3. Em momentos de quedas generalizadas, a necessidade de “companhia”
  4. Criação de âncoras que impedem a objetividade

Fonte: The Kirk Report

As regras apresentadas não são vinculativas. O bom senso deve sempre reinar. O horizonte temporal poderá permitir que algumas regras sejam muito mais importantes que outras.

3 formas de gerar retorno em Private Equity

O Private Equity é considerada uma classe de ativos que assenta na utilização de capitais privados para investir em empresas listadas ou não listadas e/ou ativos imobiliários. Grande parte dos negócios efetuados neste tipo de indústria envolve uma grande entrada de novo capital, sendo ele, em alguns casos, financiado maioritariamente por dívida. Um dos negócios mais conhecidos, precisamente com recurso a dívida, prende-se com a aquisição da RJR Nabisco por parte da KKR no ano de 1989, cujo valor foi de cerca de 24 mil milhões de dólares (cerca de 104 dólares por ação), um montante considerado estratosférico para a altura. Aliás, esta operação é de tal modo famosa que ficou imortalizada num best-seller e num filme, ambos com o mesmo nome, Barbarians at the Gate.

A empresa de Private Equity, para iniciar um investimento, necessita primeiro de criar um veículo para esse mesmo fim. Para tal, a empresa de Private Equity cria um fundo fechado que é normalmente constituído por dois agentes: os limited partners e os general partners. Os general partners são representados pela empresa de Private Equity e são responsáveis pela criação do veículo de investimento, isto é, o fundo (fechado) de Private Equity propriamente dito e a sua gestão. A ligação entre Limited Partner e General Partner fica consagrada num acordo conhecido como o commitment of funds, que, de forma bastante simples, é um contrato legal que vincula os Limited Partners a contribuírem com capital para o fundo, sendo que essas contribuições (chamadas de capital) podem ser feitas numa só vez ou através de várias chamadas de capital ao longo do período de vida do fundo. Desta forma, os General Partners, por norma, disponibilizam 1% do capital a ser angariado e são responsáveis pela gestão do fundo. Os Limited Partners disponibilizam os restantes 99% através das várias chamadas de capital e são, geralmente, fundos de pensões, companhias de seguros, mutual-funds, fundos de fundos, fundos soberanos, family offices e outros investidores institucionais.

Depois do investimento inicial e da constituição e gestão de um portfolio, de que forma é que o fundo de Private Equity recebe o retorno sobre o seu investimento? Ou, como é mais banalmente denominado, qual é a sua estratégia de saída (exit strategy)? Este é um dos temas mais debatidos dentro do ecossistema do capital de risco, visto que possibilita, em certa medida, tirar algumas ilações acerca da capacidade de gerar retornos e da criação de valor da indústria do Private Equity para a economia. Abaixo serão mencionadas algumas das mais comuns exit strategies utilizados pelo Private Equity.

Secondary buyout

Um secondary buyout ocorre quando uma empresa de Private Equity vende uma das suas investidas a outra empresa de Private Equity. Esta operação é um pouco mais controversa visto que muitas vezes se põe em questão o racional de um PE que adquire uma empresa que já esteve nas mãos de outro PE: visto que normalmente se assume que o primeiro PE já terá extraído todo o “sumo” da empresa, e entenda-se “sumo” como as melhorias da margem operacional e melhorias na geração de cash flows, um dos principais drivers dos ganhos do PE, ficando, à partida, pouco “sumo” ainda para ser “espremido”. Esta operação é considerada uma opção de recurso e costuma acontecer quando um fundo de PE se encontra perto do fim do seu ciclo de vida, o que pressiona os gestores do fundo a encontrarem uma forma rápida e fluída de entregarem retorno aos limited partners. A incapacidade de uma empresa de Private Equity em sair de um investimento de forma célere e eficaz tem um impacto negativo na sua reputação, o que por sua vez tem um impacto negativo na capacidade de um General Partner criar um veículo de investimento. Pelo lado do PE comprador, pode ser uma oportunidade para espremer o “sumo” que  o PE vendedor não conseguiu espremer.

Trade Sale

Por esta via, a empresa de Private Equity vende as ações que detêm de uma empresa a uma terceira parte, que normalmente é um player que opera no mesmo setor ou mesma indústria que a empresa adquirida. O adquirente tem, por norma, conhecimento acima da média sobre o mercado em que opera, estando predisposto a pagar um prémio, que advém de uma maior facilidade em lidar com os processos de due diligence e que resulta numa maior agilidade no processo de aquisição. Tal como o secondary buyout, esta estratégia de saída é, ao contrário do IPO, bastante célere e flexível, pois permite ao General Partner vender toda a sua participação na empresa adquirida de forma imediata.

IPO

Uma Initial Public Offering (Oferta Pública Inicial em português) é uma estratégia de saída em que a empresa vende as suas ações ao mercado, passando a estar disponíveis para transação em bolsa. Neste caso em específico, a empresa de Private Equity vende as ações de uma das suas investidas no mercado, sendo que o seu retorno irá resultar na diferença entre o montante investido e o montante angariado na venda das ações no mercado. Normalmente, as empresas de Private Equity assinam um acordo de lock-up: este acordo assegura que a empresa de Private Equity apenas possa vender as ações remanescentes após um período de cerca de 6 a 12 meses após o IPO, evitando que esta “despeje” as suas ações logo a seguir à Oferta Pública Inicial. Esta estratégia de saída é geralmente considerada como um barómetro para a qualidade das investidas, sendo que as empresas de qualidade superior são normalmente sujeitas ao IPO.

Investir em tempos de guerra

Na passada semana alguns meios de comunicação social recordaram uma entrevista feita em 2014 a Warren Buffett a propósito da invasão russa a solo ucraniano. Nessa entrevista Buffett afirmava que “a última coisa que se deveria fazer seria manter liquidez durante o período de guerra”. Disse ainda que, durante a 2ª Guerra Mundial, o mercado acionista valorizou, que continuou a valorizar nos anos seguintes e que a economia americana efetivamente cresceu nos anos que se seguiram.

Numa análise histórica entre 1941 e 2020 ao índice S&P 500 a eventos relacionados com guerra e ataques terroristas, verifica-se que:

  • Depois do ataque a Pearl Harbor em 1941, os EUA terem declarado guerra ao Japão em dezembro desse ano e a Alemanha ter declarado guerra aos EUA, este índice valorizou 15,3% um ano depois.
  • Em média, este índice tem ficado negativo cerca de 6,5% durante 3 meses depois do início dum conflito armado e positivo cerca de 13%, 12 meses depois.
  • Tanto na guerra do Vietname, como na guerra do Golfo as quedas deste índice foram curtas e as valorizações bem mais longas.

Outra análise histórica que se pode fazer é ao mercado de obrigações e a sua comparação com o mercado acionista.

Numa análise entre 1926 e 2013, apesar de o mercado de renda fixa servir para proteger as carteiras de maior volatilidade, os dados históricos mostram-nos que esta classe de ativos tem sido sempre um underperformer, em termos médios e em períodos de guerra.

A explicação para isso pode estar relacionada com a inflação, pois esta tem tido uma correlação negativa com as obrigações e, em períodos de guerra, os governos tendem a aumentar a sua dívida, elevando o rendimento dos seus títulos, fazendo baixar o preço das obrigações que estão no mercado.

Sources: S&P 500 Index for large-Cap stocks; CRSP Deciles 6-10 for small-cap stocks; long-term US government bonds for long-term bonds; five-year US Treasury notes for five-year notes; long-term US corporate bonds for long-term credit; one-month Treasury bills for cash; and the Consumer Price Index for inflation. All index returns are total returns for that index. Returns for a war-time period are calculated as the returns of the index four months before the war and during the entire war itself. Returns for “All Wars” are the annualized geometric return of the index over all “war-time periods.” Risk is the annualized standard deviation of the index over the given period. Past performance is not indicative of future results.

As matérias-primas são outra classe de ativos que tem sido influenciada em períodos de guerra, pois de uma forma direta e indireta afeta a economia de cada país.

Ainda no século XIX o algodão estava em franco crescimento, muito relacionado com a escravatura dos estados do sul. Os EUA vendiam o seu algodão principalmente para Manchester e Liverpool e com o surgimento de violentos confrontos que deram origem à guerra civil em 1861, o algodão viu o seu preço aumentar mais de 1500% fazendo colapsar a economia do Reino Unido.

Durante a 2ª Guerra Mundial, o Reino Unido sofreu um novo aperto económico quando, devido a um aumento superior a 100% do preço do trigo, os EUA viram-se obrigados a reduzir a sua produção e consequentemente as suas exportações.

A guerra do Yom Kippur em 1973, que envolveu a Síria e o Egipto contra Israel, fez com que o petróleo escalasse 300% e provocasse uma crise petrolífera e consequentemente uma crise económica mundial, uma vez que os países árabes da OPEP boicotaram a venda desta matéria-prima aos EUA e aos países europeus que apoiavam Israel.

O conflito Rússia-Ucrânia que se vive atualmente é muito relevante porque coincide com um dos maiores aumentos potenciais da inflação desde a 2ª Guerra Mundial. Este também é o motivo pelo qual se está a verificar um aumento significativo da volatilidade nos mercados financeiros. Os investidores estão atentos à inflação e às medidas que cada banco central está a tomar para a controlar.

O segredo para investir seja em tempo de guerra, ou noutro momento é a diversificação.

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Há mais de trinta anos que se anuncia o fim do consultor financeiro

Em 1998, o E*TRADE, deu ao investidor, um acesso direto às bolsas pela primeira vez. Até então, comprar uma ação obrigava a ligar a um corretor, que executava a ordem e cobrava uma comissão generosa por isso. De repente, qualquer pessoa podia fazê-lo por conta própria, em segundos, por uma fração do custo. A ameaça parecia existencial: se o cliente pode executar sozinho, para que precisa de intermediário?

Em 2008, os “robo-advisors” foram mais longe. Não só executavam ordens – construíam carteiras diversificadas, rebalanceavam automaticamente e faziam-no por custos próximos de zero. A promessa era sedutora: gestão profissional, sem o custo do profissional. A Betterment e a Wealthfront, aperfeiçoaram este modelo e foram explícitas na sua ambição: o consultor humano era um custo desnecessário que a tecnologia tornava redundante.

Em 2020, o Zoom removeu a fricção geográfica da relação – se a presença física deixava de ser necessária, o consultor local perdia uma das suas vantagens mais tangíveis. E em 2022, o ChatGPT demonstrou que uma máquina conseguia responder, em linguagem natural e em segundos, a, algumas perguntas, que antes exigiam anos de formação financeira.

Cada um destes momentos foi real. Cada tecnologia fez exatamente o que prometia.

E ainda assim, o consultor financeiro não desapareceu.

A narrativa é sempre a mesma: a tecnologia vai tornar o consultor obsoleto. O cliente vai gerir o seu próprio dinheiro. O custo vai aproximar-se de zero. O humano vai desaparecer da equação.

Só que não desapareceu.

Existem hoje sete vezes mais consultores financeiros do que em 1998. O setor cresce mais rapidamente do que a maioria das profissões. E a própria Betterment – aquela que há uma década declarava os consultores obsoletos – passou a vender software de apoio a consultores financeiros.

A confusão nasce de uma distinção que raramente é feita com clareza: a diferença entre a camada de execução e a camada de valor.

A camada de execução – comprar e vender ativos, rebalancear carteiras, comparar fundos, processar ordens – sempre foi e continuará a ser progressivamente automatizada. Isso é bom. Significa menos erros, menos custos, mais velocidade. A tecnologia faz isto melhor do que qualquer humano, e seria um dislate resistir a essa realidade.

Mas a camada de valor é diferente. E é aqui que o consultor financeiro é insubstituível.

Quando os mercados caem dez por cento em poucos dias, o cliente não precisa de um algoritmo. Precisa de uma voz que o ajude a não tomar decisões “emotivas” e precipitadas. A venda em pânico nos mínimos, por exemplo, seguida da não-reentrada nos máximos, é o padrão que destrói mais riqueza do que qualquer crise…

Não há aplicação que consiga substituir a conversa humana nesse momento.

Quando alguém decide reformar-se mais cedo, vender a empresa, mudar de país ou planear a transferência de riqueza para os filhos, a decisão não é matemática. É contextual, emocional e profundamente pessoal. Precisa de alguém que conheça a história e os valores da pessoa – não de um modelo que otimiza para um objetivo isolado.

A evidência empírica é clara e consistente: clientes que trabalham com um consultor financeiro sentem-se menos ansiosos em relação ao seu futuro financeiro, poupam mais e acumulam riqueza a um ritmo superior ao ano, quando comparados com quem gere o seu dinheiro de forma autónoma. Ao longo de anos, este diferencial compõe-se em valores extraordinários.

E o dado mais revelador de todos: esse valor adicional não vem da seleção de ações, nem do timing de mercado, nem sequer da alocação de ativos. Vem exclusivamente de “alguém” que ajuda o cliente a manter o plano quando tudo à volta sugere abandoná-lo. De “alguém” que coloca as perguntas certas antes de uma decisão difícil. De “alguém” que traduz o ruído dos mercados em contexto compreensível e acionável.

Isto não se automatiza.

As ferramentas de Inteligência Artificial vão automatizar o trabalho administrativo, acelerar a análise, personalizar a comunicação em escala e libertar tempo. Muito tempo. E esse tempo será reinvestido no que realmente nos diferencia: a Confiança.