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Fevereiro de ganhos, mas em registo assimétrico

Fevereiro foi globalmente positivo para os mercados financeiros, confirmando o bom início do ano, embora com alguma assimetria nos retornos. As ações japonesas destacaram-se em alta, o que contrastou com uma prestação mais fraca dos índices dos EUA. As ações do Japão beneficiaram dos resultados das eleições, que reforçaram a representação do partido da atual primeira-ministra e as perspetivas de políticas mais expansionistas. É percetível um movimento gradual de rotação das empresas tecnológicas de maior dimensão para outros setores como a energia, bem como para mercados fora dos EUA.

A nomeação de Kevin Warsh como próximo chairman da FED não foi recebida com entusiasmo pelos mercados, mas é ainda cedo para se concluir acerca do rumo futuro da política monetária. As minutas relativas à última reunião da Fed evidenciaram uma divisão cada vez maior entre os seus membros.

Na frente geopolítica, vão-se avolumando os sinais de que poderá ocorrer uma intervenção dos Estados Unidos no Irão, o que deu suporte aos preços do petróleo e dos metais preciosos.

O dólar teve um mês sem tendência definida face ao euro, mas continua a recuar consistentemente em relação ao yuan chinês, atingindo mínimos de quase três anos. As criptomoedas intensificaram perdas, tendo a bitcoin já cedido toda a valorização obtida desde a eleição de Donald Trump.

Classes de Ativos:

A procura por ativos de refúgio aumentou, num contexto de incerteza influenciado por receios ligados à IA e à decisão do Supremo Tribunal dos EUA sobre as tarifas de Donald Trump. Assim, fevereiro foi positivo para o mercado obrigacionista, sobretudo para a dívida pública norte-americana. Considerando a maturidade a 10 anos como referência, as taxas de juro dos US Treasuries recuaram mais de 35 pb, enquanto as dos Bunds alemães recuaram cerca de 19 pb. Os prémios de risco alargaram ligeiramente, mas mantêm-se próximos dos mínimos do ciclo, sustentando a dívida corporativa investment grade e high yield. O dólar manteve-se relativamente estável, apoiando a dívida emergente, sobretudo a denominada em moeda local.

O mês foi globalmente positivo para a maioria dos mercados acionistas, mas com elevada dispersão geográfica. Os mercados emergentes e o Japão destacaram-se em termos relativos, beneficiando de catalisadores próprios, incluindo no caso japonês a validação política de uma orientação económica mais expansionista. Também se observou forte dispersão setorial. Energia e materiais de base mantiveram-se entre os principais outperformers, enquanto tecnologia e serviços de telecomunicações evidenciaram maior fragilidade relativa, refletindo rotação e reprecificação de risco. Um dos catalisadores centrais desta dispersão continua a ser o tema da IA/LLM, não apenas como motor de crescimento, mas como choque competitivo, com receios de obsolescência e pressão sobre margens a penalizarem alguns modelos de negócio.

Este foi um mês de perda marginal no índice de commodities, afetado negativamente pela descida nos preços da energia. O petróleo esteve muito volátil, mas fechou como pouca variação mensal. A potencial intervenção militar dos EUA ao Irão continua a dominar as atenções e a criar um prémio de risco neste mercado. O cobre manteve a toada altista, suportada pela expetativa de um maior consumo futuro, apesar da evidente subida de stocks.  O preço do gás natural nos EUA caiu mais de um terço com a normalização das temperaturas e produção perto de máximos históricos. Os metais preciosos tiveram muita volatilidade, mas continuaram a apreciar num contexto geopolítico que favorece a sua compra. Os produtos agrícolas recuperaram ligeiramente, devido a uma maior procura de cereais e oleaginosas.

O dólar teve um mês sem tendência em relação ao euro. A moeda tem sido suportada pela possibilidade de um ataque ao Irão, mas prejudicada pela realocação de ativos fora dos EUA. A libra desvalorizou para mínimos do ano face ao euro devido a perspectivas de cortes de taxas de juro pelo Banco de Inglaterra e à pressão política sobre o Primeiro-ministro britânico. O yuan chinês continua a apreciar face ao dólar, alcançando máximos de abril de 2023 e a maior sequência semanal de ganhos em 13 anos.  As criptomoedas intensificaram perdas, tendo a bitcoin atingido mínimos de outubro de 2024. Os principais criptoativos já perderam toda a valorização obtida desde a eleição de Donald Trump.

Conclusão:

Fevereiro revelou-se um mês globalmente positivo para os mercados, mas marcado por uma forte dispersão geográfica e setorial que reforça a importância de uma abordagem equilibrada e diversificada. A incerteza internacional — desde possíveis tensões no Médio Oriente até à indefinição quanto ao rumo da política monetária norte‑americana — continua a ser um fator determinante para a evolução dos mercados. Ainda assim, a valorização de alguns ativos de refúgio, a força do yuan e a relativa estabilidade das matérias‑primas indicam que o mercado está a procurar um novo ponto de equilíbrio. Neste contexto, manter uma visão de longo prazo, diversificar de forma inteligente e acompanhar de perto a evolução macroeconómica serão elementos essenciais para aproveitar oportunidades e mitigar riscos nos próximos meses.

Janeiro Sob Forte Pressão Geopolítica

Não faltou volatilidade e agitação neste início do ano, seja nos mercados financeiros seja em termos geopolíticos. Apesar de uma correção mesmo no final do mês, janeiro foi positivo para as várias classes de ativos. O mercado foi, em geral, resiliente aos vários eventos do mês.

Os EUA fizeram uma intervenção militar na Venezuela com o objetivo de deter Nicolas Maduro e ter maior controlo sobre o país, nomeadamente sobre a indústria petrolífera. O interesse de Donald Trump na Gronelândia causou fricção adicional entre os EUA e a Europa e persistiu a ameaça de um ataque dos EUA ao Irão. A cimeira de Davos foi particularmente participada este ano, ficando muito patente o desconforto entre os vários blocos mundiais, que vão tentando diversificar a sua exposição aos EUA. A União Europeia assinou acordos comerciais com a Índia e o Mercosul.

A Reserva Federal dos EUA manteve a taxa de juro de referência inalterada pela primeira vez desde julho e deu a entender que não há condições para descidas de juros nos próximos meses. Donald Trump anunciou Kevin Warsh como próximo líder da FED. É uma nomeação que poderá aliviar algumas das preocupações sobre a pressão da Casa Branca sobre a FED para cortar juros.

Os metais preciosos voltaram a destacar-se pelas valorizações e pela volatilidade. O ouro e a prata foram quebrando sucessivamente máximos históricos, embora corrigindo no final do mês. O dólar teve um mês negativo, tendo o Eur/Usd chegado a $1,2078 – máximos de junho de 2021. Os criptoativos registaram uma performance negativa, não conseguindo acompanhar os movimentos dos metais preciosos.

Classes de Ativos:

O ano arrancou repleto de eventos geopolíticos, com Donald Trump a desempenhar um papel central nos seus desenvolvimentos. A volatilidade tem-se mantido relativamente contida, mas ainda assim com alguns episódios intradiários. Apesar deste contexto, os mercados de dívida têm-se mantido ordeiros, e nem as preocupações crescentes em torno da independência da FED e da nomeação do seu novo governador (Kevin Warsh), foram suficientes para interromper ganhos mensais.

Os prémios de risco corporativos mantiveram-se próximos dos mínimos do ciclo atual, validando também um sentimento construtivo por parte dos investidores. A perda de força do dólar norte americano face às principais moedas acabou por castigar a dívida emergente, sobretudo a denominada em moeda local.

Já nos mercados acionistas,  Janeiro destacou-se pela intensidade do risco geopolítico, com potenciais efeitos materiais no curto e no médio e longo prazo, tendo Donald Trump como principal catalisador. Apesar do ruído, a volatilidade nos mercados acionistas dos EUA manteve-se contida, mas com rotação clara de large para small caps e de tecnológicas para energia, industriais e materiais. No plano geográfico, a turbulência favoreceu uma rotação forte para mercados emergentes, com o Brasil em destaque. Em termos temáticos, as mineiras relacionadas com metais preciosos e urânio exibiram uma força extraordinária, com movimentos cada vez mais parabólicos.

Para o índice de commodities, foi um mês de ganhos acentuados, perto dos 9%, beneficiando de forte interesse investidor nalgumas das principais categorias. O petróleo subiu cerca de 13% beneficiando de problemas na produção do Cazaquistão e potencial ataque dos EUA ao Irão. O cobre subiu mais 5% com forte interesse investidor, apesar de evidência de subida generalizada de stocks. O gás natural nos EUA subiu cerca de 16%, num mês de volatilidade extrema de preços, afetados por dias de temperaturas extremamente baixas. Os metais preciosos continuam a galopar neste contexto de alterações geopolíticas. O ouro subiu 11% e a prata 18%.  As agrícolas sem alterações dignas de registo, a preços relativamente baixos, com ampla oferta global na maioria dos principais produtos.

No mercado cambial, o dólar fechou o mês em baixa, tendo registado os valores mais baixos face ao euro desde junho de 2021. O Eur/Usd chegou a cotar a $1,2078, corrigindo nas duas últimas sessões de janeiro. O dólar recuou devido a uma maior desconfiança do mercado em relação ao posicionamento geopolítico dos EUA, mas também após rumores de que estaria a ser preparada uma intervenção cambial conjunta entre a FED e o Banco do Japão para defender o iene. O franco suíço acabou por ser o principal beneficiado como ativo de refúgio em tempos de incerteza geopolítica. Face ao euro, o franco suíço atingiu o valor mais alto desde o “flash crash” de janeiro de 2015. As criptomoedas continuam a não atrair o interesse do mercado nesta fase. A bitcoin encerrou o mês em mínimos de mais de dois meses, o mesmo acontecendo com o ether.

Conclusão:

Num início de ano marcado por forte intensidade geopolítica e movimentos rápidos nos mercados, janeiro demonstrou que, apesar da incerteza, os investidores continuam a encontrar resiliência em várias classes de ativos. A diversificação voltou a provar a sua utilidade num mês em que metais preciosos, energia e mercados emergentes lideraram os ganhos, enquanto a dívida global manteve o seu comportamento equilibrado mesmo perante dúvidas sobre a política monetária dos EUA. Este início de ano reforça, assim, a importância de uma alocação ajustada ao perfil de risco, capaz de navegar períodos de volatilidade sem perder de vista o horizonte de investimento.