Mês: Fevereiro 2026

Outlook 2026: Navegar com Estratégia num Ciclo de Mudança

O ano de 2026 apresenta-se como um período de continuidade, mas também de novos desafios estruturais. Após um 2025 moldado pela instabilidade comercial e por valorizações excecionais nos metais preciosos — com o ouro e a prata a atingirem retornos históricos —, a Golden Wealth Management entra no novo ano com uma visão clara: otimismo fundamentado, mas guiado pela prudência.

Um Ano de Marcos Históricos e Resultados Consistentes

O ano de 2025 ficará gravado na nossa história como um período verdadeiramente especial. Ao celebrarmos os 25 anos da Golden, atingimos o marco de dois mil milhões de euros em ativos sob acompanhamento, um número que reflete, acima de tudo, a solidez da confiança que os nossos clientes depositam no nosso trabalho. Este foi também um ano de rentabilidades históricas em todos os perfis Golden.

Mais do que números isolados, estes resultados celebram a consistência de método e processo, visível nas rentabilidades acumuladas desde 2015, que atingem os 102,36% no Perfil Ações. Para reforçar este compromisso com a transparência, lançámos a app MyGolden, uma ferramenta diferenciadora que permite o acompanhamento agregado de toda a informação patrimonial.

Oportunidades no Horizonte em 2026

Para 2026, antecipamos que as políticas fiscais, particularmente nos Estados Unidos, continuem a suportar o crescimento económico global. Este fator, aliado a uma política monetária mais acomodatícia por parte dos bancos centrais, cria um ambiente favorável para o segmento acionista.

Contudo, a nossa equipa de investimentos mantém-se atenta às valorizações elevadas em certos mercados. Por isso, a estratégia para este ano foca-se na seletividade rigorosa, seja ao nível de Geografias, Setores ou Ativos Reais.

Gestão de Risco: O Valor da Agilidade

O ano de 2026 não será isento de volatilidade. Identificamos três eixos de risco que exigem uma monitorização constante:

  • Geopolítica: a liderança de Trump nos EUA, com políticas tarifárias e decisões imprevisíveis, poderá amplificar a instabilidade e alterar fluxos comerciais.
  • Inteligência Artificial Generativa: vigilância contra o excesso de entusiasmo (potenciais bolhas) e a elevada concentração de retornos em poucos nomes.
  • Obrigações e Inflação: risco de subida das yields devido ao agravamento dos desequilíbrios fiscais nos EUA.

Conclusão:

Na Golden Wealth Management, entendemos que 2026 exige mais do que uma leitura estática dos mercados; exige uma capacidade de resposta imediata à volatilidade. A nossa filosofia para este ano foca-se na agilidade e na mitigação de riscos, assegurando que cada carteira é ajustada dinamicamente para proteger o capital sem abdicar das janelas de oportunidade que este novo ciclo oferece.

Janeiro Sob Forte Pressão Geopolítica

Não faltou volatilidade e agitação neste início do ano, seja nos mercados financeiros seja em termos geopolíticos. Apesar de uma correção mesmo no final do mês, janeiro foi positivo para as várias classes de ativos. O mercado foi, em geral, resiliente aos vários eventos do mês.

Os EUA fizeram uma intervenção militar na Venezuela com o objetivo de deter Nicolas Maduro e ter maior controlo sobre o país, nomeadamente sobre a indústria petrolífera. O interesse de Donald Trump na Gronelândia causou fricção adicional entre os EUA e a Europa e persistiu a ameaça de um ataque dos EUA ao Irão. A cimeira de Davos foi particularmente participada este ano, ficando muito patente o desconforto entre os vários blocos mundiais, que vão tentando diversificar a sua exposição aos EUA. A União Europeia assinou acordos comerciais com a Índia e o Mercosul.

A Reserva Federal dos EUA manteve a taxa de juro de referência inalterada pela primeira vez desde julho e deu a entender que não há condições para descidas de juros nos próximos meses. Donald Trump anunciou Kevin Warsh como próximo líder da FED. É uma nomeação que poderá aliviar algumas das preocupações sobre a pressão da Casa Branca sobre a FED para cortar juros.

Os metais preciosos voltaram a destacar-se pelas valorizações e pela volatilidade. O ouro e a prata foram quebrando sucessivamente máximos históricos, embora corrigindo no final do mês. O dólar teve um mês negativo, tendo o Eur/Usd chegado a $1,2078 – máximos de junho de 2021. Os criptoativos registaram uma performance negativa, não conseguindo acompanhar os movimentos dos metais preciosos.

Classes de Ativos:

O ano arrancou repleto de eventos geopolíticos, com Donald Trump a desempenhar um papel central nos seus desenvolvimentos. A volatilidade tem-se mantido relativamente contida, mas ainda assim com alguns episódios intradiários. Apesar deste contexto, os mercados de dívida têm-se mantido ordeiros, e nem as preocupações crescentes em torno da independência da FED e da nomeação do seu novo governador (Kevin Warsh), foram suficientes para interromper ganhos mensais.

Os prémios de risco corporativos mantiveram-se próximos dos mínimos do ciclo atual, validando também um sentimento construtivo por parte dos investidores. A perda de força do dólar norte americano face às principais moedas acabou por castigar a dívida emergente, sobretudo a denominada em moeda local.

Já nos mercados acionistas,  Janeiro destacou-se pela intensidade do risco geopolítico, com potenciais efeitos materiais no curto e no médio e longo prazo, tendo Donald Trump como principal catalisador. Apesar do ruído, a volatilidade nos mercados acionistas dos EUA manteve-se contida, mas com rotação clara de large para small caps e de tecnológicas para energia, industriais e materiais. No plano geográfico, a turbulência favoreceu uma rotação forte para mercados emergentes, com o Brasil em destaque. Em termos temáticos, as mineiras relacionadas com metais preciosos e urânio exibiram uma força extraordinária, com movimentos cada vez mais parabólicos.

Para o índice de commodities, foi um mês de ganhos acentuados, perto dos 9%, beneficiando de forte interesse investidor nalgumas das principais categorias. O petróleo subiu cerca de 13% beneficiando de problemas na produção do Cazaquistão e potencial ataque dos EUA ao Irão. O cobre subiu mais 5% com forte interesse investidor, apesar de evidência de subida generalizada de stocks. O gás natural nos EUA subiu cerca de 16%, num mês de volatilidade extrema de preços, afetados por dias de temperaturas extremamente baixas. Os metais preciosos continuam a galopar neste contexto de alterações geopolíticas. O ouro subiu 11% e a prata 18%.  As agrícolas sem alterações dignas de registo, a preços relativamente baixos, com ampla oferta global na maioria dos principais produtos.

No mercado cambial, o dólar fechou o mês em baixa, tendo registado os valores mais baixos face ao euro desde junho de 2021. O Eur/Usd chegou a cotar a $1,2078, corrigindo nas duas últimas sessões de janeiro. O dólar recuou devido a uma maior desconfiança do mercado em relação ao posicionamento geopolítico dos EUA, mas também após rumores de que estaria a ser preparada uma intervenção cambial conjunta entre a FED e o Banco do Japão para defender o iene. O franco suíço acabou por ser o principal beneficiado como ativo de refúgio em tempos de incerteza geopolítica. Face ao euro, o franco suíço atingiu o valor mais alto desde o “flash crash” de janeiro de 2015. As criptomoedas continuam a não atrair o interesse do mercado nesta fase. A bitcoin encerrou o mês em mínimos de mais de dois meses, o mesmo acontecendo com o ether.

Conclusão:

Num início de ano marcado por forte intensidade geopolítica e movimentos rápidos nos mercados, janeiro demonstrou que, apesar da incerteza, os investidores continuam a encontrar resiliência em várias classes de ativos. A diversificação voltou a provar a sua utilidade num mês em que metais preciosos, energia e mercados emergentes lideraram os ganhos, enquanto a dívida global manteve o seu comportamento equilibrado mesmo perante dúvidas sobre a política monetária dos EUA. Este início de ano reforça, assim, a importância de uma alocação ajustada ao perfil de risco, capaz de navegar períodos de volatilidade sem perder de vista o horizonte de investimento.