Durante décadas, os depósitos a prazo foram encarados como a solução mais segura para preservar as poupanças das famílias. Embora mantenham um nível de risco reduzido do ponto de vista do capital investido, a realidade económica dos últimos anos demonstra que segurança não significa necessariamente preservação do poder de compra.
A análise dos dados do Banco de Portugal e do Instituto Nacional de Estatística demonstra que, em vários períodos recentes, a rentabilidade dos depósitos a prazo ficou abaixo da inflação, resultando numa perda real de valor para os aforradores. Esta situação foi particularmente evidente entre 2015 e 2024, um período marcado por taxas de juro historicamente reduzidas e, posteriormente, por um forte aumento da inflação.
O período entre 2015 e 2021 foi especialmente desafiante. As taxas de juro dos depósitos atingiram mínimos históricos, chegando a valores próximos de zero, enquanto os preços continuavam a aumentar gradualmente. Posteriormente, a subida abrupta da inflação observada em 2022 agravou significativamente esta realidade. Nesse ano, a inflação atingiu níveis próximos dos 10%, enquanto a remuneração dos depósitos permaneceu muito inferior, gerando uma das maiores perdas reais registadas nas últimas décadas.
Embora os bancos tenham aumentado a remuneração dos depósitos durante o ciclo de subida das taxas de juro do Banco Central Europeu, esse movimento revelou-se temporário. A taxa média dos novos depósitos a prazo de particulares atingiu um máximo de 3,08% no final de 2023, mas voltou a descer ao longo de 2024 e 2025. Em dezembro de 2024 situava-se em 2,16%, tendo recuado para cerca de 1,64% em abril de 2025.
Ao mesmo tempo, a inflação manteve-se acima dos níveis observados antes da pandemia. Em 2024, a inflação média anual foi de 2,4%, e durante 2026 tem permanecido próxima dos 3%, evidenciando que o desafio da preservação do poder de compra continua presente.
Esta realidade demonstra que os depósitos a prazo continuam a desempenhar um papel importante na gestão de liquidez e na constituição de reservas de emergência, mas apresentam limitações quando o objetivo é preservar e valorizar património no longo prazo. Quando a remuneração obtida é inferior à inflação, o capital pode manter o seu valor nominal, mas perde capacidade de compra ao longo do tempo.
Para os investidores que pretendem proteger o património de forma sustentável, torna-se fundamental adotar uma abordagem diversificada, combinando diferentes classes de ativos e horizontes de investimento. A diversificação e a gestão profissional assumem particular relevância em contextos económicos nos quais os produtos tradicionalmente considerados mais conservadores nem sempre conseguem assegurar a preservação da riqueza em termos reais.
Na Golden Wealth Management, acreditamos que uma estratégia de investimento eficaz deve olhar para além da rentabilidade nominal e focar-se na criação de valor real ao longo do tempo. O verdadeiro objetivo não é apenas evitar perdas de capital, mas garantir que as poupanças mantêm — e idealmente aumentam — o seu poder de compra ao longo dos anos.