1º Semestre de 2019 - Rentabilidades Líquidas e Eventos que impactaram os Mercados Financeiros

 

O 1º semestre do ano 2019 ficou marcado por uma recuperação das principais bolsas mundiais, acompanhadas por um abrandamento sincronizado económico dos blocos económicos de referência, tal como acreditámos e referimos na apresentação do Outlook para 2019.

Depois das quedas de maio, nas últimas semanas os mercados retomaram o momentum positivo e a generalidade dos ativos recuperaram para zonas próximas de máximos absolutos ou relativos. O semestre agora terminado foi assim um bom período para as rentabilidades da Golden, apesar da vasta lista de fatores de potencial turbulência, com todas as mais relevantes classes de ativos a registar desempenhos positivos!

 

semestre 2019

 

 

Rentabilidades passadas não são garantia de rentabilidades futuras. Os principais eventos que impactaram os mercados financeiros nestes primeiros meses de 2019 foram:

 

semestre 2019

 

 

Janeiro

 

25 janeiro: Fim do maior shutdown da história do governo federal do norte-americano

O início do ano ficou marcado pela paralisação do governo dos EUA, que começou dia 22 de dezembro de 2018 e terminou a 25 de janeiro de 2019. Na base
desta paralisação esteve a ausência de acordo entre democratas e republicanos sobre a proposta de Trump em construir um muro na fronteira com o México!

 

30 janeiro: Reunião da Reserva Federal dos EUA (FED)

A 1ª reunião do ano ditou uma mudança de 180° no discurso da FED! Embora mantendo a taxa de juro de referência inalterada no intervalo 2.25%-2.5%, a FED decide adotar uma posição “paciente”, esperando para ver como evolui a economia antes de implementar novas alterações na sua política monetária.

 

Fevereiro

 

2 fevereiro: Protestos na Venezuela

Dezenas de milhares de pessoas desencadeiam uma onda de protestos na Venezuela em apoio a Juan Guaidó, que em janeiro se auto declara presidente
interino do país. Vários países fazem declarações de apoio a Guaidó, com destaque para Estados Unidos, Colômbia e Brasil. União Europeia mantém um
posicionamento dúbio.

 

18 fevereiro: Eleições Espanholas

O Parlamento Espanhol chumba a proposta de OE do governo de Pedro Sánchez para 2019, que reage convocando eleições gerais antecipadas para 28 de abril. O resultado destas eleições realizadas em abril foi um parlamento mais fragmentado, com todos os partidos longe dos 176 deputados necessários para a maioria (PSOE 123, PP 66 e Ciudadanos 57). Negociações para formação de um governo continuam.

 

27 fevereiro: Cimeira EUA – Coreia do Norte

A 2 a cimeira entre Kim e Trump terminou sem que fosse alcançado qualquer acordo entre a EUA e a Coreia do Norte. Trump afirmou que um acordo com a Coreia do Norte só poderia avançar se a Coreia procedesse à total à desnuclearização de zonas do país, não levantando as sanções atualmente impostas a este país!

 

Março

 

7 março: Reunião do BCE

O BCE anuncia que irá manter as taxas de juro inalteradas "pelo menos até ao final de 2019” e que irá implementar um novo programa de operações de financiamento de longo prazo ao setor financeiro europeu: TLTROs, operações de financiamento trimestrais pelo prazo de 2 anos, entre setembro de 2019 e março de 2021 (garantindo o acesso a liquidez ampla e barata ao sistema financeiro europeu até 2023!).

 

13 março: Brexit – mudança de planos

Theresa May afirma que o Reino Unido ainda pode sair com um “bom acordo” depois da sua proposta ter sido rejeitada pela segunda vez no parlamento britânico. Contudo, os chefes de Estado e de Governo da EU a 27 decidem conceder uma nova extensão para a saída do Reino Unido até 31 de outubro!

 

Abril

 

24 abril: EUA e Irão

Os EUA decidem acabar com as isenções às sanções impostas ao Irão. As tensões entres os países acabaram por escalar nas semanas que se seguiram, com os EUA a ordenarem ao seu pessoal diplomático não essencial na embaixada em Bagdad e no consulado em Erbil a abandonarem a região fazendo temer uma escalada militar na região.

 

30 abril: O imperador do Japão abdica do trono

Pela primeira vez em mais de 200 anos, um imperador japonês abdicou do trono. O príncipe Naruhito, com 59 anos, sucedeu ao seu pai Akihito, numa altura que o Japão vive um marasmo económico, sem crescimento, inflação anémica e uma crise demográfica sem precedentes!

 

Maio

 

5 maio: Imposição de novas tarifas dos EUA nos produtos chineses

Trump anuncia inesperadamente via twitter uma nova subida nas tarifas de alguns produtos chineses para 25% sobre USD 200 mil milhões! E anuncia mais: "em breve" serão impostas tarifas de 25% sobre o equivalente a mais 325 mil milhões de dólares de produtos oriundos da China, escalando assim novamente as tensões comerciais com o gigante asiático!

 

24 maio: Demissão de Theresa May

Depois de várias tentativas falhadas para implementar as suas propostas sobre o Brexit, a primeira ministra britânica “deita a toalha ao chão” e anuncia a sua saída: "Saio com gratidão por ter servido o país que amo". A demissão de May da liderança do partido Conservador dá início a um processo de eleição interna no partido e cujo vencedor irá posteriormente assumir a chefia do governo britânico!

 

26 maio: Eleições Europeias

Os resultados traduziram-se no Parlamento mais fragmentado de sempre, com o crescimento dos movimentos políticos alternativos. O próximo desafio é a escolha das principais figuras para a nova Comissão Europeia, que não será fácil, já que Merkel e Macron parecem não se entenderem.

 

31 maio: Imposição de tarifas ao México

Trump, outra vez, surpreendeu e decidiu introduzir tarifas de 5% sobre todos os bens importados do México a partir de 10 de junho e prometendo aumentar progressivamente essa taxa até aos 25%, enquanto este país não tomar medidas para travar o fluxo de migrantes que tentam alcançar os EUA!

 

Junho

 

18 junho: Trump anuncia oficialmente a recandidatura à Casa Branca!

Num comício em Orlando, Flórida, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a sua recandidatura à Casa Branca sobre o slogan de campanha: “Make America Great Again". Prometendo manter-se fiel a si próprio, numa oratória beligerante Trump disparou em todas as direções abordando temas como combate à imigração ilegal, criticou o sistema de saúde ('Obamacare') e teceu vários comentários negativos sobre os media e democratas

 

19 junho: A FED “perdeu a paciência”

A FED apesar de ter mantido as taxas de juro no mesmo nível na reunião de política monetária deste mês, o voto não foi unânime (um membro da FED votou favoravelmente a um corte imediato das taxas), com a FED a preparar terreno para um corte de taxas já na próxima reunião de final de julho! Powell admitiu que a incerteza é atualmente elevada, não sendo possível antecipar cenários, realçando que vão atuar sempre de forma a ajudar a economia (americana)!

 

29 junho: Cimeira do G20

Da cimeira do G20 no Japão resultou uma declaração de apoio "aos fundamentos do livre comércio" e ao "crescimento económico", com as tensões globais
como pano de fundo. À margem deste encontro, Donald Trump reuniu-se com o presidente chinês Xi Jinping, que acabou por ditar as tréguas entre China e EUA. Trump prometeu não avançar com a introdução de novas tarifas sobre importações chinesas e aliviou a pressão sobre as empresas tecnológicas chinesas!

 

Para o 2º semestre são vários os eventos que prometem voltar a agitar os mercados. A escolha do novo 1o ministro britânico, as reuniões de FED, BCE, BoJ e BoE em setembro, a dança de cadeiras no BCE e na Comissão Europeia e ainda o Brexit a 31 de outubro são alguns dos eventos a ter em atenção!

 

Assim, através de uma monitorização permanente e análise diária e sistemática dos mercados financeiros, prometemos manter-nos fiéis aos nossos princípios procurando, através uma gestão ativa, aproveitar as oportunidades que irão certamente surgir!